27 de janeiro: aniversário do escritor Lewis Carroll

Um coelho de cartola passa correndo, de olho no relógio: “Oh, céus! Vou chegar atrasado!”. E a curiosa Alice o segue. Entra numa toca que se alça sobre um imenso precipício, tão profundo que ela acaba caindo no sono durante a queda. Mais adiante, Alice conversa com um bando de aves e animais sem que, por um instante, a situação lhe pareça inaceitável ou absurda. É isso, afinal, que faz de As Aventuras de Alice no País das Maravilhas (Alice’s adventures in wonderland) uma viagem onírica através dos devaneios do escritor inglês Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898), um homem tímido e tão peculiar quanto seu livro mais famoso.

Terceiro de 11 filhos de um pastor anglicano, Dodgson entrou aos 19 anos na Universidade Christ Church, em Oxford, na Inglaterra, onde seria professor de matemática por mais de três décadas e publicaria obras de geometria e álgebra. Tornou-se diácono em 1861, aos 29 anos. Nunca se casou e teve poucos amigos. Preferia a companhia das crianças, cultivavando a amizade de meninas entre 8 e 12. Gostava de fotografá-las na rua ou em casa, onde mantinha trajes orientais, medievais, entre outros, usados pelas crianças nessas ocasiões. Também as fotografava nuas. É claro que tais hábitos provocaram escândalo na Inglaterra vitoriana, o que o levou a abandonar o passatempo.

As Aventuras de Alice no País das Maravilhas nasceu dessa relação com as crianças. No dia 4 de julho de 1862, então com 30 anos, num passeio de barco com as três filhas do deão de Oxford, o professor foi instado por uma delas, Alice, a lhes contar uma história. Biógrafos de Carroll afirmam que suas palavras, então, foram: “Alice estava começando a ficar muito cansada de sentar-se ao lado da irmã na ribanceira, e de não ter nada que fazer…”. Exatamente a abertura de As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, publicado em 1865. Na obra, Carroll narra um sonho da menina na terra imaginária e seu contato com as mais estranhas criaturas. Entre elas estão o Coelho Branco, o Chapeleiro Maluco e o Rei e a Rainha de Copas, que satirizam a sociedade vitoriana.

Seis anos depois, sairia a continuação da obra. O título, Através do Espelho, adianta a nova aventura de Alice, que, dessa vez, ao passar para o outro lado do espelho, se vê num complexo jogo de xadrez e conhece figuras como Tweedledee, Tweedledum e Humpty Dumpty, cujas falas e cujos trejeitos foram incorporados à vida dos ingleses.

O nonsense e o absurdo pontuam ambas as obras. “Lewis Carroll abriu caminho para um gênero de literatura inteiramente novo, no qual fatos psicológicos são tratados como fatos objetivos”, observa Florence Becker Lennon, biógrafa do autor. “O não existente, os animais que falam, os seres humanos em situações impossíveis, tudo é considerado como admitido e o sonho não é perturbador”, analisa.

Outro aspecto fundamental reside na linguagem. Carroll põe Alice em contato com seres que gostam de se agredir com piadas e trocadilhos. O texto é inteiramente pontuado por brincadeiras verbais, sátiras, charadas, anagramas, epigramas. O nome do Chapeleiro Maluco (na língua original, The Mad Hatter) é um caso típico de jogo de palavras. Surge de uma expressão idiomática da língua inglesa: “To be mad as a hatter”, ou seja, “tão maluco quanto um chapeleiro”. Trata-se de uma comparação comum na época, pois se acreditava que o mercúrio usado na fabricação de chapéus provocava delírios.

Encontram-se ainda em Alice… desafios de lógica, jogos matemáticos e alusões filosóficas. A obra permite inúmeras interpretações. Surrealistas como o pintor catalão Salvador Dalí (1904-1989) e o escritor francês André Breton (1896-1966) viram em Carroll um precursor de sua estética.

Fonte: Educar para crescer

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